Agenda da semana (25 a 29 de abril)

Terça-feira, 26 de abril, 17h30

PLENÁRIA ABERTA para discutir o atual momento político do país e perspectivas de ação

Saguão do Delta

 

Quarta-feira, 27 de abril, 17h30

Piso vermelho, Santo André

Debate “O GOLPE É VIOLÊNCIA”:
Contra a democracia
Contra os direitos sociais e trabalhistas
Contra as mulheres
Contra os negros e negras
Contra LGTBs
Contra os direitos humanos

 

Quinta-feira, 28 de abril, 17h30

Saguão do Beta, São Bernardo do Campo

Debate “O GOLPE É VIOLÊNCIA”:
Contra a democracia
Contra os direitos sociais e trabalhistas
Contra as mulheres
Contra os negros e negras
Contra LGTBs
Contra os direitos humanos

 

Sexta-feira, 19 de abril

Panfletagem nos terminais de São Bernardo do Campo e Santo André

 

Domingo, 1° de maio

Grande ato em defesa da democracia

Cinco frases sobre o impeachment

subverjesus@gmail.com

(1) O impeachment está previsto na constituição e, portanto, é legal, legítimo

Esta frase esconde um detalhe importante. A constituição não apenas estabelece o que podemos e não podemos fazer, mas também diz quando podemos e não podemos fazer alguma coisa. A prisão, por exemplo, está prevista na constituição. A sociedade, pois, tem direito de trancafiar as pessoas em celas. Isso realmente ocorre. Porém, muitas das prisões são ilegais. A constituição não permite prender quem bem entendermos, qualquer que seja a situação. Daí porque ocorrem prisões ilegais: pessoas são trancafiadas por serem negras, pobres, moradoras de favela. Mas isso não é motivo para prender, de acordo, exatamente com a constituição.

Da mesma maneira, não é porque a palavra “impeachment” (impedimento) está escrita na constituição que podemos colocar um presidente eleito na rua sempre que quisermos. Apenas quando há provas de que o presidente agiu contra a sociedade, embolsando o dinheiro dos impostos ou distribuindo-o para seus colegas, é que o impeachment pode ser utilizado. E não há nenhuma prova de que Dilma tenha feito isso. Mesmo que diversos políticos estão sendo investigados, alguns deles do PT, não se pode julgar a presidente por coisas que ela não fez. Sem que haja provas, não se pode atribuir à Dilma a responsabilidade pelo PT, um partido com um milhão de pessoas. Também não se pode atribuir à Dilma responsabilidade por esquemas sujos que ocorrem no governo federal, em que trabalham, apenas em Brasília, mais de cem mil pessoas.

Defender o impeachment sem provas é muito parecido com comemorar quando o juiz anula incorretamente e, portanto, ilegalmente, um gol cometido pelo time adversário. Imagine aquela partida de final do campeonato, aos 43 minutos do segundo tempo, com o placar em 1 a 0 para nosso time. E então o juiz rouba o gol adversário. Tubo bem, desta vez o erro do juiz nos favoreceu, ele torce para o mesmo time que nós. Mas, se isso ocorreu este ano, poderá ocorrer também ano que vem, no próximo campeonato. Poderemos dar o azar de topar com um juiz que torce para o outro time. E daí será nossa vez de perder injustamente. Será, então, que devemos comemorar a sorte de ter pegado o juiz certo desta vez ou lutar para que sejam despedidos os juízes que apitam a favor do time para que torcem?

Os juízes de Brasília que não julgam com base em provas, mas sim de acordo com seu partido de preferência, são exatamente como os juízes de futebol que usam o apito para defender seus times. Ou lutamos contra eles, não aceitando suas decisões, mesmo que nos beneficiem em algum momento, ou somos obrigados a conviver com o risco de um dia encontrar um juiz que não torce para o nosso time.

(2) Dilma mentiu nas eleições e não merece continuar a governar

De fato, algumas promessas de Dilma não foram cumpridas e, além disso, ela fez coisas que tinha prometido não fazer, como o ajuste fiscal. Mas o que está em questão neste momento é se Dilma continua ou se outra pessoa assume o cargo de presidente. Retirar Dilma é colocar outra pessoa, o País não pode ficar sem presidente. Devemos escolher, de novo, entre Dilma e Temer, ou entre Dilma e novas eleições; novas eleições, diga-se de passagem, significa que vamos ter de escolher novamente entre candidatos muito parecidos com aqueles de 2014. É claro que essa decisão pode ser tomada com base no comportamento de Dilma, podemos acreditar que ela não merece um novo voto de confiança pois uma vez eleita, ela mudou, virou “outra pessoa”. Mas então devemos nos perguntar se Temer, ou Aécio, merecem um voto de confiança. Temer é vice-presidente e, portanto, também responde pelas promessas da campanha de Dilma e pelo que ela fez ou deixou de fazer depois.

Já Aécio é do PSDB, ele foi o principal oponente de Dilma nas eleições e tem dirigido a oposição desde então. Aparentemente ele não tem culpa do que o PT fez ou deixou de fazer. Mas esta impressão não passa de mera aparência. Governar um País não depende apenas de uma pessoa, a presidente, ou do time dele, os ministros, assessores, deputados, etc. Não depende apenas de quem ganha a eleição. Também depende da oposição que é formada por pessoas que fazem parte do governo mas não pertencem ao PT. A oposição tem atuado contra o governo, dificultando com que ele cumpra o que prometeu e o pressionando a fazer o que disse que não faria.

Aécio Neves tem falado em impeachment desde o ano passado. Tem insistido que Dilma não é capaz de governar o País logo que ela assumiu. Além disso, Aécio não cumpriu com o que prometeu. Assim que perdeu a eleição, ligou para Dilma e disse que trabalharia pelo Brasil. Mas ele não fez nada disso. Em sua campanha ele insistiu que seria necessário cortar gastos públicos, fazer o ajuste fiscal. E com isso conseguiu o apoio do setor financeiro pois os bancos lucram mais e correm menos risco quando a contabilidade do governo está em dia. Assim que perdeu a eleição, Aécio foi o capitão de um ataque pirata ao governo em que convenceu deputados e senadores a votarem contra o ajuste fiscal. Aécio é um mal perdedor. Ele, o PSDB, o PMDB de Temer, a mídia, o setor financeiro e algumas entidades patronais como a FIESP, mudaram o jogo assim que perderam para Dilma, criando uma situação extremamente difícil de administrar.

Uma questão que fica para pensar é se devemos trocar uma presidente que, depois de eleita, mudou para se adaptar a uma situação desfavorável, por maus perdedores que trabalharam obstinadamente para tornar o País ingovernável. Devemos confiar naqueles que, em sua sede de vingança, colocaram o povo em segundo lugar?

(3) Dilma não tem mais condições de governar o País

A dificuldade em governar foi causada por erros da própria presidenta, mas também foi causada porque a mídia, o PSDB e outros partidos de oposição e o setor financeiro (bancos) estão desde 2014 fazendo sua parte para que Dilma não consiga governar. Os jornais têm, desde o primeiro governo Dilma (2011-2014), divulgado um imenso número de notícias negativas quanto ao futuro do mercado e dos negócios. Esta visão negativa levou os empresários a apostar no pior e segurar seus investimentos. Esta é uma das principais razões do desemprego, das falências e do pessimismo.

Talvez seja mais correto sair nas ruas pedindo o impeachment de que está agindo para criar o caos no Brasil e não de quem está trabalhando para evita-lo. A mídia, o PSDB e o setor financeiro é que devem ser impedidos de complicar nossa vida. Além disso, é preciso lembrar que a presidente foi eleita com votos, enquanto que os cavaleiros do apocalipse de plantão não receberam autorização da maioria do povo para fazer o que estão fazendo.

Algumas perguntas para refletir: se Dilma não tem mais condições de governar, quem teria? É realista supor que Temer, Cunha, Aécio, os quais só têm promovido o caos, seriam capazes de governar? Gerar caos me parece ser muito mais fácil do que agir para acabar com ele. Será que o impeachment tornaria o País mais fácil de governar?

(4) Dilma não se mostrou hábil para resolver a crise política

Antes de tudo, a crise política foi provocada pela maneira inadequada e desesperada com que alguns políticos investigados pela Lava Jato lidaram com o medo de serem punidos. Esta operação de combate à corrupção é a maior de nossa história. Ela está passando a limpo um enorme número de esquemas sujos que são praticados há décadas, pelo menos desde a ditatura militar (década de 1960). Ou será que acreditamos que toda a rede de macomunagem que está sendo desvendada foi montada nos últimos 12 anos em que o PT esteve governando? Basta lembrar que figuras antológicas como Paulo Maluf, Jarder Barbalho, Fernando Collor, Eduardo Cunha, os anões do orçamento, os vampiros da saúde, entre outros vilões, estão por aí há muito tempo fazendo suas maldades.

Enfim, com medo de serem presos e punidos, os investigados pela Lava Jato passaram a agir às pressas, desfazendo alianças antigas descobertas pela justiça e criando novas alianças para se protegerem mutuamente. Essas mudanças, realizadas a toque de caixa, desestruturaram o sistema político, dificultaram o diálogo, e daí nasceu a crise política.

A presidente Dilma nunca influiu nas investigações, mesmo quando diversos de seus companheiros de partido foram presos e sentenciados. Foi dada liberdade total às instituições federais para continuar a investigar. Qual outro governo deste País prendeu membros do próprio partido? Quem é contra a corrupção deve defender aqueles que têm zelado pelo combate à corrupção. E nenhum outro governo levou isso tão a sério até agora quanto o de Lula e Dilma.

Se a oposição, por exemplo, o sr. Aécio Neves, estivesse no poder, como eles reagiriam à Lava Jato? Será que deixariam as investigações ocorrerem, sem intervir? Eu não sei. Apenas sei que, até agora, depois de diversas delações envolvendo o PSDB, ninguém deste partido foi condenado. Uma das delações afirmou que Fernando Henrique Cardoso recebeu R$100 milhões como propina. Outra que Aécio recebeu propina de R$300 mil. Será que devemos acreditar na honestidade completa do PSDB? Um partido que vendeu, na década de 90, diversas empresas estatais a preço de banana para a iniciativa privada e para outros países, episódio em que enriqueceram Serra, Cunha e muitos outros. Um partido que desviou dinheiro da merenda das escolas públicas, comprometendo a alimentação de crianças carentes. Um partido que há 25 governa o estado de São Paulo, o mais rico do Brasil, oferece à população um transporte público de péssima qualidade, que não pôde fazer nada frente à crise da água do ano passado a não ser cortar o fornecimento da periferia, que nunca gastou um centavo para criar ciclovias seguras e que tem tentado fechar escolas públicas sem consultar a comunidade.

Eu sugiro que pensemos como o PSDB, PMDB e qualquer outro partido, enfrentaria a crise política e então comparássemos o desempenho deles com o de Dilma. Comparar é sempre o melhor a fazer. Para escolher se vamos pegar o ônibus ou o trem, é uma boa saber quanto cada um demora para nos levar em casa. Em um dia de muita chuva, tanto o ônibus como o trem podem demorar muito mais, porém, se não houver uma terceira opção, é preciso escolher entre as duas, pois ninguém vai querer dormir na rua. A “enchente” política e econômica deve ser resolvida da mesma maneira. É preciso comparar Dilma com Temer ou qualquer outro que poderá se tornar presidente caso haja impeachment.

(5) O impeachment é uma boa pois nos dá mais escolha

Em 2014, o Brasil escolheu Dilma. Em 2015 o Brasil ficou confuso e começou um movimento para voltar atrás, para substituir Dilma. É algo parecido com a história de uma criança cujos pais, no aniversário dela, permitiram que ela escolhesse um dos diversos brinquedos de uma loja. A criança optou por uma das bonecas, mas havia dois outros brinquedos de que ela gostou muito. Depois de alguns meses, a criança se arrependeu e começou a fazer pirraça para devolver a boneca e poder escolher entre aqueles dois brinquedos com os quais ela sonhava. Os pais poderiam se comover e tentar realizar a troca, mesmo sabendo que a loja dificilmente aceitaria uma boneca usada. Os pais também poderiam dizer “minha filha, se não enfrentamos e refletimos sobre nossos erros, continuamos a cometê-los; se você tiver a oportunidade de fazer outra escolha sem que tenha aprendido a lição, provavelmente daqui a um mês vai querer trocar de novo”.

É claro que o problema do impeachment é muito mais complicado do que isso, mas, porém, uma coisa é fato: todos nós votamos em 2014, e sabíamos que estávamos elegendo alguém para um mandato de 4 anos. Independente do candidato escolhido, temos de assumir nossa responsabilidade pelo resultado das eleições. Isso é verdade não apenas para os eleitores de Dilma arrependidos, mas também para os eleitores de Aécio, Marina, etc. Mesmo aqueles que votaram contra Dilma são responsáveis pela vitória dela pois falharam em impedir que isso ocorresse. Seja porque não se organizaram para votar em massa no adversário mais apto a vencer Dilma, seja porque não puderam convencer seus familiares e amigos a votarem contra Dilma. É como numa partida de futebol: o time vencedor tem o mérito de ter jogado melhor e o time perdedor tem o demérito de ter deixado o adversário vencer. Isso parece justo? Não parece para alguns torcedores do time perdedor que desejam pressionar haja uma nova partida contra o time vencedor, mesmo que isso não esteja previsto no campeonato. É exatamente isso que os defensores do impeachment estão querendo.

Devemos nos perguntar qual é o caminho para tomar melhores decisões no futuro. Um caminho é tentar reverter, forçando a barra, uma decisão anterior. Outro caminho é conviver com a decisão tomada e utilizar isso para aprender sobre como decidir bem.

Convite do Sindicato dos Metalúrgicos

O Sindicato dos Metalúrgicos convida os membros da comunidade da UFABC contra o golpe para as seguintes atividades:

 

Dia 14, quinta-feira, 9h, Palestra

Palestra “O combate à corrupção e os impactos na economia” – com Luis Nassif e Gilberto Bercovich

Sindicato dos Metalúrgicos

 

Dia 15, sexta-feira, 16hs, Caminhada contra o Golpe

Concentração no Sindicato dos Metalúrgicos com caminhada até a Praça Matriz.

Agenda da semana do comitê

14 de abril, quinta-feira: a partir das 15h e até as 19h, duas grandes atividades em São Bernardo
-as 15h debate sobre o pré-sal
-as 17h atividade cultural
-as 17h30 ato promovido pela UEE e pelo Comitê

15 de abril, sexta: dia nacional de luta.
Em seu locais de trabalho, estudo e moradia, é dia de fazer atividades para protestar e convocar as pessoas para o dia 17.

17 de abril, domingo, dia nacional de vigília democrática
Todos devem ir para o Anhangabaú
Uma faixa UFABC CONTRA O GOLPE está sendo confeccionada.
Ponto de encontro da UFABC: na escadaria do Teatro Municipal, a partir das 10h00.

19 de abril, terça, 17h30, no saguão de Santo André
Plenária geral do comitê para avaliação do resultado da votação na Câmara e iniciativas decorrentes